OTÁVIO CORAL
Quem será que mora em mim?
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RESPLANDECENTE

Do momento súbito abriu-se a flor
explosiva em cores fascinantes,
tal como a prima aurora.

          Do profundo abismo soergueu-se o grito
          pleno de uma sonoridade criativa
          tal como uma nova ária de Bach.
Do negror absoluto do mar revolto
sobressai luminescente raio,
escamas prateadas de um fictício peixe.

          Da origem atemporal das coisas
          catapulta para a existência formal
          um embrionário magma incolor.
Dos confins imprevistos do porão do universo
emerge para a infinita abóboda
uma gigantesca onda ancestre.

           De repente, não mais que de repente,
           em tudo faz-se uma calma transcedente.

Otávio Coral
Enviado por Otávio Coral em 27/09/2011
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