OTÁVIO CORAL
Quem será que mora em mim?
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UM BREVE ESPANTO

 

Se ela tivesse um pouco mais de tempo não estaria assim agora, nua diante do espelho. Seu corpo é uma dúvida que ela não compreende. Não aceita. Não quer. Sua imaginação fértil não encontra asas para voar. Ali está estagnada. Presa de uma espécie de torpor.

E ela não sabe o que fazer para agradá-lo. E sem tempo, se apressa. Corre contra ela própria. Sem sair do lugar. Numa esteira rolante se deixa cansar. E na pressa esquece-se de que está sem roupa. Não quer se lembrar daquelas formas. Para ela, já tão passadas. Mas não lhes deu o segundo olhar. Talvez vislumbrasse algum viço. Alguma recôndita beleza. Algum brilho sedutor. Mas, prefere jogar qualquer coisa por cima daquela imagem refletida. E sai. E se vai. Sem saber direito como está. Tudo por causa do tempo. Tão pouco. Tão indiferente. E o dela já está passando, passando.

 

Otávio Coral
Enviado por Otávio Coral em 21/11/2025
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